quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
15:44 | Postado por
Mendy Oliveira |
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Nesses últimos dias não tenho encontrado não apenas inspiração mas motivação para poder escrever sobre assuntos sociais, política, cultura, arte e afins, temáticas que tanto amo discorrer. Tenho me "dedicado" espontaneamente a escrever sobre mim, utilizando esse blog como um diário ou qualquer coisa parecida.
Pretendo em breve abordar temáticas mais sérias e relevantes do que meu mau humor, mas enquanto isso não ocorre mais um poema.
Pretendo em breve abordar temáticas mais sérias e relevantes do que meu mau humor, mas enquanto isso não ocorre mais um poema.
Peso
Tento gritar,
Não consigo
Tento romper com o silêncio
Que crio.
Tudo em vão
Minha mente não me deixa escolhas
Minha alma não encontra caminhos
Cega, permaneço andando a esmo
Na escuridão
Do que vivo
Juro ter medo
Medos dos próximos passos
Pavor dos próximos dias
Não sei onde chegarei
Ou se mesmo chegarei
Mas sinto,
Com dor incontrolável
que sei onde vou parar
minha cabeça pesa
um peso descomunal, sobrenatural
há dores e fatigas
peso nos olhos
são feridas
que o tempo não mais se responsabiliza
e sigo agora, nesse estado
sem esperança de voltar a mim.
Prefero não conhecer o futuro,
pois sei que agora vivo o pior de mim.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
17:58 | Postado por
Mendy Oliveira |
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Ao perguntarem por que é mais fácil escrever sobre o que se sente, do que falar para alguém, simplesmente medito, respiro e logo respondo: "Por
que as palavras escritas serão lidas por aqueles que condizem com os
seus sentimentos e percepções, ou ao menos os respeitam... aquele que
ouvirá, não necessariamente se importará com você...".
DESABAFO
Ao final de toda a falácia
Perguntarão hipocritamente
Qual o meu problema.
Não responderei.
Não por medo ou vergonha
Mas sim pela atitude misantropa da desconfiança
A certeza de que usaram minhas palavras contra mim
O que sinto?
Talvez sede da vida
Fome da existência
O que me corrói?
A solidão que assola multidões
As palavras falsas
As pessoas frias, que
no momento de tormenta
Lhe deixam morrer
O que faço para resolver meu problema?
Escrevo e recrio em palavras
Tudo aquilo que minha alma clama
Escrevo da forma mais sincera o que meu corpo reclama
Escrevo, no mais simples e verdadeiro gesto
Aquilo que ninguém pretende ouvir.
16:57 | Postado por
Mendy Oliveira |
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Um desejo forte e íntimo surgiu e não pude a ele negar nada. Veio-me a vontade de escrever uma história, onde consegui representar um pouco do que sou e sinto na principal e única personagem. Nada grandioso, afinal não sou Machado, mas intimista e "acolhedor". Um pouco da minha dor, para justificar meus rumos.
Nesse texto usufruo de uma brilhante e agonizante música húngara, traduzida para o inglês, Gloomy Sunday, ou no bom português, Domingo sombrio. Essa música, muito densa e triste, composta pelo húngaro Rezső Seress em 1933, é apontada como causa de pelo menos 100 suicídios em todo o mundo, sendo conhecida como canção húngara do suicídio. O próprio Rezso foi uma de suas vítimas.
A música foi composta para uma antiga namorada, pela qual alimentava grande afeição. Como forma de desabafo, escreveu a canção expunha todos os seus sentimentos.
A música tempos após o seu lançamento na Hungria foi proibida pelo governo, em função dos inúmeros assassinatos atrelados à mesma. A medida surtiu efeito contrário e a música logo se tornou um grande sucesso, principalmente quando em 1941 foi regravada por Billie Holiday.
Satisfeito com o sucesso alcançado e acreditando ter reconquistado seu amor, R. Seress foi atrás de sua namorada, mas descobriu que ela havia se matado por envenenamente e ao seu lado, estava a letra de Gloomy Sunday.
Aquilo foi o sufuciente para atiçar seu instinto suicida. Antes de morrer, Seress declarou sobre sua música: "Essa fama fatal me machuca. Eu chorei todas as tristezas de meu coração nessa música e parece que outras pessoas, com sentimentos como os meus, encontraram sua própria dor".
Acredito que a música e sua história seja o suficiente para revelar a atmosfera desse texto.
Uma grandiosa música, para um grandioso fim.
Nesse texto usufruo de uma brilhante e agonizante música húngara, traduzida para o inglês, Gloomy Sunday, ou no bom português, Domingo sombrio. Essa música, muito densa e triste, composta pelo húngaro Rezső Seress em 1933, é apontada como causa de pelo menos 100 suicídios em todo o mundo, sendo conhecida como canção húngara do suicídio. O próprio Rezso foi uma de suas vítimas.
A música foi composta para uma antiga namorada, pela qual alimentava grande afeição. Como forma de desabafo, escreveu a canção expunha todos os seus sentimentos.
A música tempos após o seu lançamento na Hungria foi proibida pelo governo, em função dos inúmeros assassinatos atrelados à mesma. A medida surtiu efeito contrário e a música logo se tornou um grande sucesso, principalmente quando em 1941 foi regravada por Billie Holiday.
Satisfeito com o sucesso alcançado e acreditando ter reconquistado seu amor, R. Seress foi atrás de sua namorada, mas descobriu que ela havia se matado por envenenamente e ao seu lado, estava a letra de Gloomy Sunday.
Aquilo foi o sufuciente para atiçar seu instinto suicida. Antes de morrer, Seress declarou sobre sua música: "Essa fama fatal me machuca. Eu chorei todas as tristezas de meu coração nessa música e parece que outras pessoas, com sentimentos como os meus, encontraram sua própria dor".
Acredito que a música e sua história seja o suficiente para revelar a atmosfera desse texto.
Uma grandiosa música, para um grandioso fim.
Domingo Sombrio
O ambiente era
fúnebre e denso. Já tardava nove e pouco da manhã e as janelas permaneciam
trancadas e a cortina mantinha-se fechada.
O sol brilhava eufórico aquele belo domingo, trazendo sua luz ao mundo e
acompanhando mais um dia para muitos. Para muitos.
Ela não se
sentia bem. Não era aquela a primeira vez e entendia não ser a última. Ninguém
a entendia, diziam ser besteira, diziam ser fraqueza. Não entendiam a guerra
que ali se passava, mas que chegava ao fim.
Ela estava só,
no canto mais confortável da sala. No lado esquerdo, a última garrafa de uísque
esvaziada. No lado direito, a lembrança do último cigarro recentemente apagado.
O sol brilhava ao seu redor alegremente a
contagiar o mundo com sua alegria de bom rapaz, mas ela, ela não se sentia por
ele abençoada, pois afinal a alegria não
é para quem acorda e sim para quem vive.
Naquela manhã
resolvera não trabalhar, não levantar, não acordar e sim manter-se estática, no
mesmo lugar em que a noite se prostrara.
Todo
apartamento alimentava um intenso silencio, só ouvia-se o ranger desesperado da
agulha da velha vitrola, notificando o fim de um lado do disco. Ah, o disco. Esse era um disco
especial, uma maldita herança de família, comprado pelo seu avô, herdado por
seu pai e agora miseravelmente preso em seus braços.
O disco era
velho, ou como preferem proclamar os bons admiradores da música, clássico. Era
um lp de 12 polegadas convencional ou nem tanto. Uma obra prima dos anos 30 que
reunia na sua megalomania as magníficas interpretações de Lady Day. Que voz.
Mas nem mesmo sua delicada voz era capaz de destruir a severa muralha que
construíra em torno a si.
Aquele disco, ele
lhe trazia muitas lembranças nada belas de se reviver. Sobre o som da última
faixa do lado B encontrara seu pai morto. Há muito não ousava tocar naquele
disco ou até mesmo fintá-lo, mas naquela madrugada, perdida e só, não via
escolhas ou quaisquer soluções ao não ser tocar aquela maldita arte que tanto
lhe afligia.
Cada faixa era
como lâminas recém afiadas, que em seu corpo penetravam gozando de sua dor.
Apesar de todo
o furacão que armava-se em silêncio dentro de sua alma, manteve-se ali,
tranquilamente calada, poeticamente solitária.
Levantou-se
enfim e caminhou até o banheiro, onde fez a si o favor de pela última vez encarar seus olhos negros, inchados e
sombrios. Quebrou o espelho, sentindo-se satisfeita de nunca mais ter de se
reconhecer.
Calculou cada
passo até a cozinha onde buscou um copo, gelo e a mais cara garrafa de vodka
que possuía. As dores começaram pela nuca, sutis, carinhosas.
O disco tocava,
cada vez mais lento, cada vez mais intenso. Ela caminhava brandamente ou voava, como parecia sentir.
Retornou à
sala, onde alegre, posicionou-se no sofá rasgado que mantinha intacto, como
reflexo de si. Seu coração ardia.
Colocou o copo
sobre a mesa e serviu-se de exagerada dose de vodka. A última dose fria.
Enfim, sentia
os passos lentos da última faixa. Ela se aproximava, com sutis punhaladas no
peito, a drástica introdução de piano e a voz, que crescia, pouco a pouco.
“Sunday is gloomy
My hours are slumberless
Dearest the shadows
I live with are numberless”
O álcool
lhe escoou ardente a garganta e o corpo. As palavras entravam em sua mente e
internamente, sem autorização ou respeito, iniciavam uma grande batalha.
Death is no dream
For in death I'm caressing you
With the last breath of my soul
I'll be
blessing you
“I'll be blessing you, I'll be blessing you…”, repetia em seu íntimo. Sentia
os últimos minutos daquele dia, agora subindo pelas suas veias suprimidas e
sentia o fim da música, que a atacava com covardia.
O remédio iniciava sua ação. Sim, encontrara a
solução para sua maldita agonia, a vida; não tomaria mais antidepressivos, não
tomaria mais a existência de seu corpo ou a morte em vida de sua alma. Não.
Não passaria mais noites em claro, olhando a avenida
movimentada de miragens e alucinações, sentindo em sua mente todo o peso do seu ser, não seria mais a telespectadora de seu drama demoníaco.
“Não,
nunca mais.”
O último
gole da amarga bebida descia como doce e a tornava agora a bela criança que a
muito havia se perdido. As últimas letras da música ainda ecoavam em sua mente.
Darling, I hope
That my dream never haunted you
My heart is telling you
How much I wanted you
Gloomy Sunday
Gloomy Sunday
“Gloomy Sunday, gloomy Sunday....”
O disco
continuou a tocar, fixo em um único ponto sem volta, o momento exato de seu
sono permanente, sem fim. Gloomy Sunday, gloomy Sunday. Antes da última
palavra, imaginou se aquele seria um domingo sombrio a alguém, mas só viu em
todo o universo a sua imagem vazia. Gloomy Sunday.
Seus
olhos fecharam e o único indício de vida naquele apartamento escuro era da
música que não morrera e o disco que persistia em sorrir.
16:40 | Postado por
Mendy Oliveira |
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O termo misantropia pode ser definido como uma aversão humana e a todos os elementos atrelados a esta natureza. Misantropia pode ser facilmente entendido como apatia, aversão e até mesmo desconfiança relacionada a seres humanos.
Seria a misantropia então algo bom ou ruim??
Considero a misantropia como o mais puro sentimento humano, escondido em sua raiz, porém desdenhado em razão à necessidade de relações sociais, já que afinal, se não estamos aceitos ou incorporando um meio social somos considerados loucos, doentes, etc..
Estar presente em um meio social, incorporando-o, não deveria ser entendido como sinal de sanidade, já que afinal os psicopatas são ótimos "amigos".
Alimento sem medo ou ódio certo grau de misantropia, atrelada, paradoxalmente, a filosofia de Rousseau: " o homem é bom por natureza, a sociedade o corrompe",
Com minha utopia aguçada defendo tal principio e de fato acredito. O homem é bom por natureza, mas essa sua substância boa esta escondida em um local profundo, mascarada por pseudo valores e morais, que o distância cada vez mais de si.
Do mesmo modo alimento a misantropia, com mesmo calor e carinho. É necessário amar e odiar, assim todas as quedas se tornam menores. Acredito na espécie e seu gradual processo de reencontro, do mesmo modo que odeio a sua animalidade e psicologia.
Afinal, posso declarar ódio a mim e meu agonizante antagonismo, que tanto bem me concede.
Pretendo em futuras postagens trabalhar mais a misantropia segundo aspectos psíquicos, filosóficos e imparciais. Agora, limito-me a postar mais um poema sem poesia.
Seria a misantropia então algo bom ou ruim??
Considero a misantropia como o mais puro sentimento humano, escondido em sua raiz, porém desdenhado em razão à necessidade de relações sociais, já que afinal, se não estamos aceitos ou incorporando um meio social somos considerados loucos, doentes, etc..
Estar presente em um meio social, incorporando-o, não deveria ser entendido como sinal de sanidade, já que afinal os psicopatas são ótimos "amigos".
Alimento sem medo ou ódio certo grau de misantropia, atrelada, paradoxalmente, a filosofia de Rousseau: " o homem é bom por natureza, a sociedade o corrompe",
Com minha utopia aguçada defendo tal principio e de fato acredito. O homem é bom por natureza, mas essa sua substância boa esta escondida em um local profundo, mascarada por pseudo valores e morais, que o distância cada vez mais de si.
Do mesmo modo alimento a misantropia, com mesmo calor e carinho. É necessário amar e odiar, assim todas as quedas se tornam menores. Acredito na espécie e seu gradual processo de reencontro, do mesmo modo que odeio a sua animalidade e psicologia.
Afinal, posso declarar ódio a mim e meu agonizante antagonismo, que tanto bem me concede.
Pretendo em futuras postagens trabalhar mais a misantropia segundo aspectos psíquicos, filosóficos e imparciais. Agora, limito-me a postar mais um poema sem poesia.
Misantropia
Traduziram os falsos filósofos
Ideias e pensamentos
Tão fracos quanto suas vidas e mentes
Dirão, em oposição à vida
Calunias mal ditas
Intrigas e afins,
Nada que não se encontre
na superfície de seus olhos úmidos
nada que disserem será de meu proveito
sua falha filosofia não chega a mim
eis a glória do humanismo
o maior feito, a misantropia
mal que cura almas e as conforta de dores passadas
que como tiros, mantém na carne suas marcas
todos os pseudo pensadores
com sua palavras feitas em rimas mambembes
dirão todo o mal esperançoso
mas a mim não ri mais essa gente
converti-me a uma sacra religião
de amor distante e vão,
chamada misantropia
ou intimamente, aversão à gente quente ou fria.
16:24 | Postado por
Mendy Oliveira |
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Como eu bem imaginava, não seria fácil manter esta página, já que afinal não esta sendo fácil manter minha vida, no sentido mais primitivo da ideia. Mas retornei. Talvez seja necessários alguns dias de distanciamento para criar.
Enfim, sem enrolar, meu grande dom, mando a quem se interessar mais alguns de meus tão otimistas versos.
Enfim, sem enrolar, meu grande dom, mando a quem se interessar mais alguns de meus tão otimistas versos.
Espelho
Quem, nesse sórdido universo
Se atreve, com ganância e usura
A cruzar o espelho
E nele buscar uma beleza morta?
Quem, em maldita e hipócrita relação consigo
Consegue em paz dormir e acordar
E a si clamar vivo?
E a coragem para encarar sua fisionomia
Grave e densa,
Onde mora, o que habita?
Onde esta a gana de conhecer a si
Que alimentei um dia
E deixei sair em um passeio de rotina??
Não.
Não retornou mais
Não deixou cartas ou marcas,
Apenas a minha forte lembrança e insegurança
Não voltarei a encarar meus olhos escuros
Profundos e frios
Não tenho mais o mapa do meu caminho
E me perderei dentro do meu vazio.
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