Map
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
     Nesses últimos dias não tenho encontrado não apenas inspiração mas motivação para poder escrever sobre assuntos sociais, política, cultura, arte e afins, temáticas que tanto amo discorrer. Tenho me "dedicado" espontaneamente a escrever sobre mim, utilizando esse blog como um diário ou qualquer coisa parecida.
     Pretendo em breve abordar temáticas mais sérias e relevantes do que meu mau humor, mas enquanto isso não ocorre mais um poema. 



Peso

Tento gritar,
Não consigo
Tento romper com o silêncio
Que crio.
Tudo em vão

Minha mente não me deixa escolhas
Minha alma não encontra caminhos
Cega, permaneço andando a esmo
Na escuridão
Do que vivo

Juro ter medo
Medos dos próximos passos
Pavor dos próximos dias

Não sei onde chegarei
Ou se mesmo chegarei
Mas sinto,
Com  dor incontrolável
que sei onde vou parar

minha cabeça pesa
um peso descomunal, sobrenatural
há dores e fatigas
peso nos olhos
são feridas
que o tempo não mais se responsabiliza
e sigo agora, nesse estado
sem esperança de voltar a mim. 

Prefero não conhecer o futuro, 
pois sei que agora vivo o pior de mim.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
     Ao perguntarem por que é mais fácil escrever sobre o que se sente, do que falar para alguém, simplesmente medito, respiro e logo respondo: "Por que as palavras escritas serão lidas por aqueles que condizem com os seus sentimentos e percepções, ou ao menos os respeitam... aquele que ouvirá, não necessariamente se importará com você...".



DESABAFO

Ao final de toda a falácia
Perguntarão hipocritamente
Qual o meu problema.
Não responderei.
Não por medo ou vergonha
Mas sim pela atitude misantropa da desconfiança
A certeza de que usaram minhas palavras contra mim

O que sinto?
 Talvez sede da vida
Fome da existência

O que me corrói?
A solidão que assola multidões
As palavras falsas
 As pessoas frias, que no momento de tormenta
Lhe deixam morrer

O que faço para resolver meu problema?
Escrevo e recrio em palavras
Tudo aquilo que minha alma clama
Escrevo da forma mais sincera o que meu corpo reclama

Escrevo, no mais simples e verdadeiro gesto
Aquilo que ninguém pretende ouvir.
 
     Um desejo forte e íntimo surgiu e não pude a ele negar nada. Veio-me a vontade de escrever uma história, onde consegui representar um pouco do que sou e sinto na principal e única personagem. Nada grandioso, afinal não sou Machado, mas intimista e "acolhedor". Um pouco da minha dor, para justificar meus rumos.
    Nesse texto usufruo de uma brilhante e agonizante música húngara, traduzida para o inglês, Gloomy Sunday, ou no bom português, Domingo sombrio. Essa música, muito densa e triste, composta pelo húngaro Rezső Seress em 1933, é apontada como causa de pelo menos 100 suicídios em todo o mundo, sendo conhecida como canção húngara do suicídio. O próprio Rezso foi uma de suas vítimas.
    A música  foi composta para uma antiga namorada, pela qual alimentava grande afeição. Como forma de desabafo, escreveu a canção expunha todos os seus sentimentos.
    A música tempos após o seu lançamento na Hungria foi proibida pelo governo, em função dos inúmeros assassinatos atrelados à mesma. A medida surtiu efeito contrário e a música logo se tornou um grande sucesso, principalmente quando em 1941 foi regravada por Billie Holiday.
    Satisfeito com o sucesso alcançado e acreditando ter reconquistado seu amor, R. Seress foi atrás de sua namorada, mas descobriu que ela havia se matado por envenenamente e ao seu lado, estava a letra de Gloomy Sunday.
   Aquilo foi o sufuciente para atiçar seu instinto suicida. Antes de morrer, Seress declarou sobre sua música: "Essa fama fatal me machuca. Eu chorei todas as tristezas de meu coração nessa música e parece que outras pessoas, com sentimentos como os meus, encontraram sua própria dor".
   Acredito que a música e sua história seja o suficiente para revelar a atmosfera desse texto.
   Uma grandiosa música, para um grandioso fim.


Domingo Sombrio

O ambiente era fúnebre e denso. Já tardava nove e pouco da manhã e as janelas permaneciam trancadas e a cortina mantinha-se fechada.  O sol brilhava eufórico aquele belo domingo, trazendo sua luz ao mundo e acompanhando mais um dia para muitos. Para muitos.
Ela não se sentia bem. Não era aquela a primeira vez e entendia não ser a última. Ninguém a entendia, diziam ser besteira, diziam ser fraqueza. Não entendiam a guerra que ali se passava, mas que chegava ao fim.
Ela estava só, no canto mais confortável da sala. No lado esquerdo, a última garrafa de uísque esvaziada. No lado direito, a lembrança do último cigarro recentemente apagado.
  O sol brilhava ao seu redor alegremente a contagiar o mundo com sua alegria de bom rapaz, mas ela, ela não se sentia por ele abençoada,  pois afinal a alegria não é para quem acorda e sim para quem vive.
Naquela manhã resolvera não trabalhar, não levantar, não acordar e sim manter-se estática, no mesmo lugar em que a noite se prostrara.
Todo apartamento alimentava um intenso silencio, só ouvia-se o ranger desesperado da agulha da velha vitrola, notificando o fim de um lado  do disco. Ah, o disco. Esse era um disco especial, uma maldita herança de família, comprado pelo seu avô, herdado por seu pai e agora miseravelmente preso em seus braços.
O disco era velho, ou como preferem proclamar os bons admiradores da música, clássico. Era um lp de 12 polegadas convencional ou nem tanto. Uma obra prima dos anos 30 que reunia na sua megalomania as magníficas interpretações de Lady Day. Que voz. Mas nem mesmo sua delicada voz era capaz de destruir a severa muralha que construíra em torno a si.
Aquele disco, ele lhe trazia muitas lembranças nada belas de se reviver. Sobre o som da última faixa do lado B encontrara seu pai morto. Há muito não ousava tocar naquele disco ou até mesmo fintá-lo, mas naquela madrugada, perdida e só, não via escolhas ou quaisquer soluções ao não ser tocar aquela maldita arte que tanto lhe afligia.
Cada faixa era como lâminas recém afiadas, que em seu corpo penetravam gozando de sua dor.
Apesar de todo o furacão que armava-se em silêncio dentro de sua alma, manteve-se ali, tranquilamente calada, poeticamente solitária.
Levantou-se enfim e caminhou até o banheiro, onde fez a si o favor de pela última vez  encarar seus olhos negros, inchados e sombrios. Quebrou o espelho, sentindo-se satisfeita de nunca mais ter de se reconhecer.
Calculou cada passo até a cozinha onde buscou um copo, gelo e a mais cara garrafa de vodka que possuía. As dores começaram pela nuca, sutis, carinhosas.
O disco tocava, cada vez mais lento, cada vez mais intenso. Ela caminhava  brandamente ou voava, como parecia sentir.
Retornou à sala, onde alegre, posicionou-se no sofá rasgado que mantinha intacto, como reflexo de si.  Seu coração ardia.
Colocou o copo sobre a mesa e serviu-se de exagerada dose de vodka. A última dose fria.
Enfim, sentia os passos lentos da última faixa. Ela se aproximava, com sutis punhaladas no peito, a drástica introdução de piano e a voz, que crescia, pouco a pouco.
“Sunday is gloomy
My hours are slumberless
Dearest the shadows
I live with are numberless”

O álcool lhe escoou ardente a garganta e o corpo. As palavras entravam em sua mente e internamente, sem autorização ou respeito, iniciavam uma grande batalha.

Death is no dream
For in death I'm caressing you
With the last breath of my soul
I'll be blessing you

I'll be blessing you, I'll be blessing you…”, repetia em seu íntimo. Sentia os últimos minutos daquele dia, agora subindo pelas suas veias suprimidas e sentia o fim da música, que a atacava com covardia.
O remédio iniciava sua ação. Sim, encontrara a solução para sua maldita agonia, a vida; não tomaria mais antidepressivos, não tomaria mais a existência de seu corpo ou a morte em vida de sua alma. Não.
Não passaria mais noites em claro, olhando a avenida movimentada de miragens e alucinações, sentindo em sua mente todo o peso do seu ser, não seria mais a telespectadora de seu drama demoníaco.
“Não, nunca mais.”
O último gole da amarga bebida descia como doce e a tornava agora a bela criança que a muito havia se perdido. As últimas letras da música ainda ecoavam em sua mente.

Darling, I hope
That my dream never haunted you
My heart is telling you
How much I wanted you
Gloomy Sunday
Gloomy Sunday
“Gloomy Sunday, gloomy Sunday....”
O disco continuou a tocar, fixo em um único ponto sem volta, o momento exato de seu sono permanente, sem fim. Gloomy Sunday, gloomy Sunday. Antes da última palavra, imaginou se aquele seria um domingo sombrio a alguém, mas só viu em todo o universo a sua imagem vazia. Gloomy Sunday.
Seus olhos fecharam e o único indício de vida naquele apartamento escuro era da música que não morrera e o disco que persistia em sorrir.
     O termo misantropia pode ser definido como uma aversão humana e a todos os elementos atrelados a esta natureza.  Misantropia pode ser facilmente entendido como apatia, aversão e até mesmo desconfiança relacionada a seres humanos.
    Seria a misantropia então algo bom ou ruim??
    Considero a misantropia como o mais puro sentimento humano, escondido em sua raiz, porém desdenhado em razão à necessidade de relações sociais, já que afinal, se não estamos aceitos ou incorporando um meio social somos considerados loucos, doentes, etc..
  Estar presente em um meio social, incorporando-o, não deveria ser entendido como sinal de sanidade, já que afinal os psicopatas são ótimos "amigos".
    Alimento sem medo ou ódio certo grau de misantropia, atrelada, paradoxalmente, a filosofia de Rousseau: " o homem é bom por natureza, a sociedade o corrompe",
   Com minha utopia aguçada defendo tal principio e de fato acredito. O homem é bom por natureza, mas essa sua substância boa esta escondida em um local profundo, mascarada por pseudo valores e morais, que o distância cada vez mais de si.
     Do mesmo modo alimento a misantropia, com mesmo calor e carinho. É necessário amar e odiar, assim todas as quedas se tornam menores. Acredito na espécie e seu gradual processo de reencontro, do mesmo modo que odeio a sua animalidade e psicologia.
     Afinal, posso declarar ódio a mim e meu agonizante antagonismo, que tanto bem me concede.
     Pretendo em futuras postagens trabalhar mais a misantropia segundo aspectos psíquicos, filosóficos e imparciais. Agora, limito-me a postar mais um poema sem poesia.



Misantropia

Traduziram os falsos filósofos
Ideias e pensamentos
Tão fracos quanto suas vidas e mentes

Dirão, em oposição à vida
Calunias mal ditas
Intrigas e afins,
Nada que não se encontre
na superfície de seus olhos úmidos

nada que disserem será de meu proveito
sua falha filosofia não chega a mim
eis a glória do humanismo
o maior feito, a misantropia

mal que cura almas e as conforta de dores passadas
que como tiros, mantém na carne suas marcas

todos os pseudo pensadores
com sua palavras feitas em rimas mambembes
dirão todo o mal esperançoso

mas a mim não ri mais essa gente
converti-me a uma sacra religião
de amor distante e vão,  chamada misantropia
ou intimamente, aversão à gente quente ou fria.
     Como eu bem imaginava, não seria fácil manter esta página, já que afinal não esta sendo fácil manter minha vida, no sentido mais primitivo da ideia. Mas retornei. Talvez seja necessários alguns dias de distanciamento para criar.
     Enfim, sem enrolar, meu grande dom, mando a quem se interessar mais alguns de meus tão otimistas versos.



Espelho

Quem, nesse sórdido universo
Se atreve, com ganância e usura
A cruzar o espelho
E nele buscar uma beleza morta?

Quem, em maldita e hipócrita relação consigo
Consegue em paz dormir e acordar
E a si clamar vivo?

E a coragem para encarar sua fisionomia
Grave e densa,
Onde mora, o que habita?

Onde esta a gana de conhecer a si
Que alimentei um dia
E deixei sair em um passeio de rotina??

Não.
Não retornou mais
Não deixou cartas ou marcas,
Apenas a minha forte lembrança e insegurança

Não voltarei a encarar meus olhos escuros
Profundos e frios
Não tenho mais o mapa do meu caminho
E me perderei dentro do meu vazio.

Seguidores

8 ou 80

contador free

Tradutor




Tecnologia do Blogger.